quarta-feira, 27 de maio de 2009

Um beijo para se criar um sonho

É incrível como ainda hoje, na era da razão, onde as pessoas tendem a se tornar céticas com tudo o que acontece, o pensamento de que o amor há de ser pleno e eterno continue tão em alta.

Livros, músicas... parece um turbilhão eterno onde o amor - aquela coisa intransitiva - se torna mais que uma coisa a ser pensada, se torna um dogma, a ser procurado. Buscar a pessoa que lhe complete, e faça se sentir perfeito novamente, preencha seus erros, se torna uma busca para os mais entusiastas, e um sonho, para os pessimitas.

Mas esse é um ponto em que, na minha opinião, fica a grande deficiência das pessoas: elas sempre se concentram na busca do que acreditam ser perfeito, mas não em fazer da imperfeição dos outros sua felicidade.

Esquisito, não?

Bom, muita gente que ler isto aqui vai acabar pensando que eu estou simplesmente querendo alguma atenção, e catalogar tudo como um caso de desabafo abstrato e bem direcionado, mas não é esta a questão, e nem o caso.. é mais metafísica, e um tanto de realismo.

Ah, sim, outros também poderão pensar que é só "mais um" dos textos sobre a odisséia moderna da procura do amor... e é aí que está o ponto: não é. É apenas a opinião - sincera - de alguém que também quer uma boa resposta.

Ou, talvez, não queira.

E você pode se perguntar, "opa, como assim, não queira?", e eu já emendo, sim, talvez não queira: descobrir que algo que fez tanto o sucesso quanto o fracasso de tantas pessoas se resume a uma simples leva de palavras, definido como uma respostazinha fraca e concisa de "x = ..." poderia acabar definitivamente com qualquer resquício da vontade de continuar nessa procura, que, quer você assuma ou não, conduziu ou conduz mais da metade da sua vida.


Ou não. hahaha.


Enfim, que se foda.





sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Lições

Ah, mas um dia, a gente aprende...

Um dia a gente pára, com dor nos joelhos, olha para trás e vê que, apesar de achar que estava andando, estava parado;

Vê que, na verdade, não é necessário caminhar: todas as coisas se alteram, ao nosso redor;

E que, apesar disto tudo, nós mesmos, não mudamos.

Um dia a gente aprende que procurar não é buscar longe, mas em nós;

E que, apesar de querermos sempre ficar, o segredo da vida é alçar vôo.

Um dia, a gente percebe que mesmo com toda a determinação do mundo, nada supera um não;

E que nem sempre é feliz alguém que vai só pelo que acha correto, pelo coração.

Um dia a gente olha para os outros, procurando por complemento;

Mas que, mesmo assim, só se vê a pessoa correta quando se procura por si mesmo

Aprende, que mesmo que a verdade soe como a única necessidade, o maior desejo às vezes é a ignorância;

Só que, se for para saber de algo, que seja de tudo, para que se possa ver o que restará;

Um dia, a gente aprende que cuidar para que ninguém dos que queremos perto saia, nunca quer dizer ser submisso;

Pois muitas pessoas irão confundir bondade com inocência;

E que mesmo que a cabeça seja de um sonhador crônico, o único jeito seguro de se ter devaneios, é com os olhos abertos;

Talvez a pior das lições seja descobrir que o infinito tem um limite, e que a eternidade morre; e que não existe ou existirá a pessoa perfeita, mas sim a perfeição em se amar os defeitos de quem se quer bem;

Ou que tudo aquilo que você sentiu, não foi mais que uma mera brincadeira para alguém.

É... um dia, a gente aprende...

(dedicado à você, coração).

sábado, 13 de setembro de 2008

O Bem e o Mal

Talvez seja uma máxima moderna, talvez um legado, um efeito colateral deixado pela separação que os deuses fizeram das almas gêmeas que caminhavam felizes pelo mundo, mas não existe uma só pessoa em todo o mundo que, 5 minutos depois de seus atos, nunca desejou ter feito tudo exatamente ao contrário.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Folhas ao Vento

É interessante observar o outono que tece suas redes por sobre as pessoas, e como ele vêm, gradual, lépido, e prepara tudo para que o inverno possa se instalar. É no outono que as pessoas trocam o estilo das roupas, e por ele é que começamos a ver os narizes vermelhos dos descuidados que insistem em se vestir como se estivessem ainda no verão.

Também é nele que a natureza instaura o tempo de mudança: tempo de adaptação, tempo de sobrevivência. O outono é o começo e o fim do preparo para a época difícil que esta coisa chamada vida tem de passar, em um ciclo universal e infinito, para ser o que ela é. Alterando, ajustando, preparando. Ele é o arauto de que tempos difíceis virão... e um último lampejo, de saudade e esperança,

Espero ver o outono passar, e não simplesmente acordar no inverno de minha vida...

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Rei que foi, rei que será

E mais uma estrela de nosso parco céu perde seu brilho. Na data de hoje, Paulo Alberto Artur da Távola Moretzsohn Monteiro de Barros, ou apenas Artur da Távola, faleceu, aos 72 anos.

Deixa, como herança, uma produção literária culta e que expressa um sentimento que realmente se sente, algo que fez com maestria, como poucos.

Que Deus possa deixar que cheguemos nesta idade, e neste passo da vida, tão profundamente cultos... e sábios.