Tempo.
Tempo.
Tempo.
Ledo, lépido, trôpego tempo. Onomatopéico tempo.
Cada vez mais, o ser humano se prende ao tempo, e se faz prender, tentando encontrar um meio, na ironia, de se livrar dele.
Tempo, tempo, tempo...
Relógios, celulares, leds, mostradores, dials. E, a cada vez, uma a uma, a sonoridade tão clássica de "tic tac"se converte em um som, só, rígido, intransitivo.
Eu odeio o tempo. Não acredito que exista, mas, mesmo assim, odeio. Para mim, o tempo nada mais é que uma mera convenção humana - mais uma convenção humana - para tentar medir o imensurável, e delimitar o ideal do indivisível.
Sendo direto, frescura. E mesmo assim, necessário.
O tempo, desmentido po Einstein, nada mais é que o porto seguro, a base, a fundação lançada por todo ser para que não caia na loucura de ruminar, dia-a-dia, a necessidade ansiosa de chegar ao objetivo do momento de cada um. É a orla, a murada, a defesa contra o abismo ilúcido.
E, neste meio, ele segue, não seguindo, em sua existência impossível, como um deus de Caeiro, em seu passo firme, e, na maioria das vezes, cruel:
-tempo, tempo, tempo, tempo, tempo...
Noções de sinestesia; momentos eu por mim, e eu contra mim; bobagens, coisas legais e outras coisas improváveis.
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quarta-feira, 14 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Que não seja eterno...
É difícil tentar entender por que as pessoas agem como agem. Ainda mais difícil é se lembrar qual foi exatamente o motivo que te levou a reagir ao que elas fizeram.
É, eu fiquei mesmo tentado a entender.
Um simples gesto, ação e reação - quem sabe qual o verdadeiro motivo para que tudo que acontece dentro da própria realidade, e parece tão natural, aconteça assim?
De onde viemos, o que somos... tudo o que nos compõe. Toda a parte do passado que teimamos em lembrar como "presente". O beijo que demos ontem, o filme do domingo passado... cada momento que vivemos e tivemos.
Mas, se esses tais momentos - assim, no plural - aconteceram, passaram, por que, nunca conseguimos dividi-los nessa andança mochileira pela vida?
É, eu fiquei mesmo tentado a entender.
Um momento não é uma unidade de medida; ele não possui elemento definido, massa atômica, ou prazo de validade. Também não há um caminho certo de como ele deve ser percorrido, in and out, ou tempo determinado.
-Não.
Não?
-Não.
Não?
-Não.
Um momento é o jeito como você está, e tudo o mais que compõe como você pensa, sente, age... quer. É o jeito com que você tenta moldar a realidade, trabalhando o seu paradigma, em busca do que tanto deseja. É um fato, e uma conseqüência, um micro e um macro, transportados para dentro de si e como você interage com tudo ao seu redor.
Tudo, é claro, dentro do infinito composto de um pouco de tempo.
E assim, mês a mês, ano a ano, vez a vez, se esvaem os momentos, numa linha única que teimamos em chamar de memória. Você não era a mesma pessoa quando deu seu primeiro beijo, sentiu sua primeira paixão, ou perdeu a sua virgindade: todos eram diferentes faces de você, criados no nada da 4ª dimensão inexistente, percorrendo um caminho sem volta, sem se tocar que está mudando, até que tudo ao seu redor também tenha mudado.
Talvez o grande defeito do ser humano é não entender que as oportunidades aparecem e, no mesmo passe de mágica, somem, envoltas no manto do momento, percebendo que elas existiram depois de muito, muito tempo.
Ou então, seja ancorar em si um momento especial, esquecendo-se completamente de todos os outros, que, por uma vez só, vão passar.
O problema é que, infelizmente, quase ninguém vê que apenas vai ser infinito enquanto durar.
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