terça-feira, 25 de março de 2008

Sempre só, sem querer acompanhante

Sabe, eu tento, tento, mas não consigo, mesmo, entender São Paulo.

Talvez seja o fato de ter morado até pouco tempo atrás em uma cidade onde você todos os vizinhos pelo nome; ou talvez, algum gérmen do interior tenha afetado minhas funções cognitivas. A questão é, seja o que for, não concebo a idéia de ser mais um dentre as marés de solitários e anônimos que passam por mim a cada dia, cuidando de suas vidas, sem nem ao menos prestar atenção em quem está ao lado.

Alguns dirão que isto é uma medida de proteção: que aqui, hoje em dia, não se sabe se o estranho é amigo ou inimigo, se é uma "pessoa de bem", ou um marginal, e que isto é apenas uma conseqüência do zêlo da população.

Em um primeiro momento, eu até pensava nisto como o correto, e até mesmo cheguei a tentar me ajustar à isto: porém, depois de observar as verdadeiras degradações que a cidade oferece - mendigos, crianças de rua, deficientes e todos os outros mendicantes - dia após dia, não consigo mais aceitar este tipo de verdade.

A verdade é que São Paulo, a capital populacional do país, nada mais é que um espelho ao modo de vida que se propagou - em escala exorbitante - onde a individualidade é adulada como um verdadeiro deus, e a cortesia, a boa vizinhança, a polidez e educação são enxotados como obsoletos e medíocres. Isso faz com que as pessoas se tornem cada vez mais mesquinhas e individualistas, egocêntricas e fúteis, estabelecendo uma política hedonista onde só o "eu" tem valor, esquecendo-se do "nós" e, principalmente, do "ele(s)".

Não acredita? Quando foi, então, que você realmente parou para ver o que aquela pessoa precisava, ao invés de sacar as moedinhas que você estoca para suas "boas ações", ou então, ao invés de simplesmente passar por ela, como se ela não existisse?

3 comentários:

Mariana disse...

Realmente é do mesmo modo que eu penso...
Nasci em Salto - Sp e sempre fui acostumada a dar Bom dia para meus vizinhos, a sentar na calçada e conversar, a ter amizade ou pelo menos conhecimento de quem fosse o individuo que passava ao meu lado.
A 5 anos moro em Campinas e a sensação que me vem é que a educação, respeito e senso humano ficaram de lado.
No caso dos meninos que vendem bala no sinal por exemplo, muitas pessoas nem se quer agracecem ou olham para a cara dos mesmos.Sendo que muitas vezes apenas um gesto de atenção valham mais do que centavos.
Parece que realmente tudo é diferente, uma paisagem cinza e morta e pessoas frias e distantes.Como que se ninguém precisasse de ninguém.As pessoas acabam deixando a vontade de presenciar um Nascer do Sol, sentir aquela brisa fresca, observar os pequenos detalhes( não as roupas ou os carros), que fazem toda a diferença.
Um bom dia e um sorriso( sincero, sem interesse) hoje em dia são raros,pelo menos aqui em Campinas rss e acredito que em diversos outros lugares.


Sou péssima para escrever :/

Beijos
e BOM DIA!

Suzana disse...

Carencia?rs ( brincadeirinha)
Sempre soube que vc tem saudade de viver nesse nosso mundinho q é o interior..rs
Bjos.

Saulo disse...

Parar pra ver o que a pessoa precisava? Ate parei. Mas dai a ajudar sao outros quinhentos.

Entrar numa ONG contra o trabalho infantil, oferecer ajuda ao servico social no amparo aos necessitados ou simplesmente pegar 10% do seu salario (nao disse 50% do salario, tao pouco moedinhas de 10 centavos) e financiar alguma instituicao que oferece abrigo, educacao e alimentacao. Eu nao fiz. Voce fez? Alguem aqui fez?

Mas nao se sinta mal nao. Isso nao e culpa sua, culpa minha, culpa da cidade de Sao Paulo ou culpa de ninguem. E coisa do ser humano mesmo. O ser humano precisa de motivacao, de recompensa. Nem que a recompenas seja um alivio de espirito.

Mas, o que discordo, e de seu argumento. Pra mim, dar 50 centavos pro moleque de rua ou "realmente parar para ver o que aquela pessoa precisava" e tudo igual: nao resolve nada.

Ajudar, mesmo que seja para se sentir bem consigo mesmo, funciona.